Deficiência Intelectual e linguagem

Qual a relação entre linguagem e deficiência intelectual?

Na deficiência intelectual ou atraso global do desenvolvimento, a manifestação clínica mais comum, nos primeiros anos de vida, antes dos 18 meses, é o atraso no desenvolvimento da linguagem.

No desenvolvimento da linguagem de criança, observa-se que por volta dos 6 meses de vida inicia-se o balbucio e aos 9 meses a criança apresenta balbucio com intenção de se comunicar. Com um ano de idade a criança começa a falar as primeiras palavrinhas e aos 2 anos a criança consegue formar frases simples com duas ou três palavrinhas. E aos 3 anos de idade, a crianças consegue formar frases mais elaboradas, com sujeito e verbo, e consegue manter diálogo com os membros da família. Nesta fase é importante verificar se qualquer adulto entende o discurso da criança.

A criança com suspeita atraso global do desenvolvimento pode apresentar:

• atraso nas fases do desenvolvimento da linguagem;

• ter uma fala mecânica sem espontaneidade;

• comunica-se por gestos ou usa “gruindo”(som sem significado);

• usa conduta imitativa por mais tempo que as crianças com desenvolvimento típico.

E as crianças pré-escolares e escolares podem apresentar dificuldade escolar (não consegue entender a explicação do professor, dificuldade em aprender a ler e (ou) escrever), déficit de atenção, dificuldade na coordenação motora fina (dificuldade de desenhar, colorir ou escrever) e outros.

 

Esta suspeita justifica uma avaliação específica com profissional como Foniatra, médico que estuda distúrbios de linguagem e aprendizagem e pode ajudar no diagnóstico correto. Esta condição pode levar suspeita também de autismo (TEA), transtorno do desenvolvimento de linguagem (TDL) ou transtorno de fala.

O diagnóstico precoce e a introdução de terapias especializadas, como fonoterapia, terapia ocupacional, terapia psicológica, musicalização e outras, podem ajudar no desenvolvimento desta criança e diminuir a diferença entre as crianças com desenvolvimento típico. Portanto, melhorar o desempenho acadêmico e profissional e as relações sociais destas crianças no futuro.

O que é deficiência intelectual?

É uma condição muito complexa e identificada como diminuição significativa do funcionamento intelectual, no período do desenvolvimento. Ela afeta a comunicação social e a vida prática.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito principalmente por testes padronizados para análise do quociente de inteligência (QI), sendo considerado deficiência intelectual os indivíduos com QI inferior 70. Em crianças pequenas o diagnóstico inicial é atraso global do desenvolvimento.

Classificação da OMS de Deficiência Intelectual (DI) conforme o QI

CLASSIFICAÇÃO:

DI leve – QI 50 a 70 – Frequência 85%

DI moderada – QI 35 a 49 – Frequência 10%

DI grave – QI 20 a 34 – Frequência 3% a 4%

DI profunda – QI menor 20 – Frequência 1% a 2%

Todas crianças podem fazer os testes de QI?

Não, os testes são aplicados para crianças maiores de 5 anos.

Antes desta idade, as crianças suspeitas são diagnosticas como tendo atraso do global do desenvolvimento, sendo observados alterações na linguagem (descritas acima), dificuldades em realizar atividades motoras finas (desenhar, segurar os talheres, segurar o lapis), atraso na autonomia (tomar água no copo, comer sozinho, vestir sua roupa, tirar a fralda), alterações no comportamento (dificuldade para dormir, acorda muitas vezes a noite, bate nos coleguinhas da escola, criança nervosa ou ansiosa) e nas competências sociais (dificuldade para manter contato com outra pessoa, brinca sozinho).

Qual o risco de deficiência intelectual?

Segundo a OMS, nos países de baixa e média a prevalência é de 2 a 3% da população infantil e nos países de alta renda a prevalência é 1 a 3% da população infantil.

Quais os principais fatores que causam a deficiência intelectual?

Existem causas genéticas e não genéticas.

As causas genéticas são muitas e estima-se mais de 1000 genes associados. As causas mais frequentes são; Síndrome de Down (1:700 a 1:100 nascidos vivos) e Síndrome do X Frágil (1:5000 nascidos vivos).

As causas não genéticas são na maioria ambientais que afetam o cérebro no período gestacional, durante o parto e nos primeiros anos de vida. As causas mais frequentes são:  o uso abusivo de álcool durante a gestação, que leva a Síndrome Alcoólica fetal ou Transtorno do Álcool Fetal, e nos primeiros anos de vida, infeções do sistema nervoso central como meningite, encefalite e traumas cranianos.

Referências bibliográficas:

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed. Washington: American Psychiatric Association, 2013.

https://www.omim.org

Johnson CP, Walker WO Jr, Palomo-González SA, Curry CJ. Mental retardation: diagnosis, management, and family support. Curr Probl Pediatr Adolesc Health Care. 2006 Apr; 36(4): 126-165. DOI: 10.1016/j. cppeds.2005.11.005.

Huang J, Zhu T, Qu Y, Mu D. Prenatal, perinatal and neonatal risk factors for intellectual disability: a systemic review and meta-analysis. PLoS One. 2016; 11(4): e0153655. DOI: 10.1371/journal.pone.0153655.

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